Alergia alimentar em cães: sinais mais comuns e como descobrir o que faz mal

Por Neto Martini  •   Leitura de 4 minutos

Alergia alimentar em cães: sinais mais comuns e como descobrir o que faz mal

Tem coisa que o tutor reconhece de longe. O cachorro começa a coçar demais, a orelha vive inflamando, o intestino desanda do nada… e a gente fica naquele ciclo: melhora, volta, melhora, volta.

Em muitos casos, isso pode ter relação com alergia alimentar, um tipo de reação do corpo do cão a algum ingrediente da dieta. Não é frescura, não é ‘manha' e não é só estética. Coceira constante e otite repetida são desconfortos reais, que atrapalham o sono, o humor e a qualidade de vida.

Aqui você vai entender os sinais mais comuns, os ingredientes que mais aparecem como gatilho e como identificar o que está por trás disso.

Primeiro, a alergia alimentar é o quê, na prática?

A alergia é uma resposta do sistema imunológico. O corpo do cão ‘entende’ que um ingrediente é um invasor e começa a reagir. Mesmo quando aquele alimento é seguro para a maioria, para aquele animal específico pode virar problema.

E o detalhe que pega muita gente: às vezes o cachorro comeu a vida inteira e só depois começou a reagir. Isso acontece.

Sinais mais comuns de alergia alimentar no dia a dia do tutor

Os sintomas mais frequentes são:

  • Coceira intensa, principalmente em patas, focinho, barriga, orelhas e base do rabo;
  • Otite que vive voltando, com mau cheiro e vermelhidão;
  • Lamber as patas sem parar, como se estivesse ‘ansioso’ ou irritado;
  • Vômitos recorrentes ou enjoo depois de comer; 
  • Diarreia, fezes moles, gases e desconforto abdominal;
  • Pele vermelha, irritada, com bolinhas, feridinhas ou ‘caspa’ fora do normal; 
  • Pelagem opaca, sem brilho, com falhas em alguns pontos.

Um ponto importante: coçar não é ‘normal' quando vira repetitivo. E otite recorrente quase sempre é um recado do corpo, muitas vezes ligado a alergia.

O que mais costuma causar alergia em cães

Qualquer ingrediente pode ser gatilho, mas alguns aparecem com mais frequência, principalmente porque são muito comuns em ração, sachê, patês e snacks.

Frango: é um dos ingredientes mais usados no Brasil. Por isso, quando o cão tem alergia, ele acaba sendo um suspeito frequente. Se o veterinário levantar essa hipótese, frango costuma ser um dos primeiros a sair da dieta.

Carne bovina: também é muito presente. E aqui tem um detalhe importante: às vezes não está escrito ‘carne bovina', mas aparece como sabor carne, aroma carne, farinha de carne e outros derivados.

Ovos: muita gente usa ovo como complemento, e ele também aparece em alimentos comerciais. É nutritivo, mas pode ser gatilho em alguns cães.

Soja: a soja pode aparecer em rações e alimentos como fonte de proteína ou ingrediente ‘de composição’. Nem sempre dá problema, mas em cães sensíveis pode ser parte da equação.

Leite e derivados: aqui entram dois cenários diferentes:

  • Intolerância à lactose, que dá gases, diarreia, vômito e estufamento;Alergia à proteína do leite, que pode dar coceira e sinais de pele, além de sintomas gastrointestinais.

Grãos e glúten: grãos como trigo e cevada podem causar sensibilidade em alguns cães. O sinal que mais aparece é diarreia crônica e perda de peso, porque o intestino não absorve bem os nutrientes.

Como descobrir o que está causando a reação

Essa é a parte que exige calma. Porque os sintomas são parecidos e o corpo não coloca uma placa escrito ‘foi o frango’.

O caminho mais usado pelos veterinários é a dieta de eliminação:

  1. Trocar a alimentação por uma dieta com ingredientes que o cachorro nunca consumiu antes;

  2. Manter por tempo suficiente para o corpo ‘limpar’ a inflamação;

  3. Quando estabilizar, reintroduzir ingredientes antigos um por vez;

  4. Se os sintomas voltarem, você encontrou o gatilho

Esse processo pode levar de 8 a 12 semanas, porque a alergia não some em dois dias. O corpo precisa de tempo para responder de verdade.

Um alerta que ajuda muita gente

Muita gente tenta resolver mudando tudo o tempo inteiro. Troca ração, troca snack, troca patê, troca de novo. E aí o corpo não estabiliza e ninguém entende o que está acontecendo.

Se você desconfia de alergia, o que mais ajuda é:

  • Rotina consistente
  • Acompanhamento veterinário
  • Rótulo lido com lupa
  • Pouca variação durante a investigação

Alergia alimentar pode parecer só uma coceira, mas não é. Pode ser um desconforto constante, que vira otite, ferida, perda de pelo, diarreia e irritação.

A boa notícia é que, quando você descobre o gatilho e ajusta a dieta, o cachorro melhora muito. E a casa inteira sente a diferença.

 

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